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<title><![CDATA[FLOGÃO: COMALMALUSA]]></title>
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<title>Alma Lusa</title><link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa</link></image><link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa</link>
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<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 22:50:33 -0300</pubDate>
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<title><![CDATA[PONTE VASCO DA GAMA]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/202/130898481</link>
<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 19:45:04 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/202/130898481"><img src="http://s72.flogao.com.br/2009/07/02/67/tb_130898481.jpg"></a><br><br>



<b>Palavras para uma cidade</b>

Tempo houve em que Lisboa não tinha esse nome. Chamavam-lhe Olisipo quando os Romanos ali chegaram, Olissibona quando a tomaram os Mouros, que logo deram em dizer Aschbouna, talvez porque não soubessem pronunciar a bárbara palavra. Quando, em 1147, depois de um cerco de três meses, os Mouros foram vencidos, o nome da cidade não mudou logo na hora seguinte: se aquele que iria ser o nosso primeiro rei enviou à família uma carta a anunciar o feito, o mais provável é que tenha escrito ao alto Aschbouna, 24 de Outubro, ou Olissibona, mas nunca Lisboa. Quando começou Lisboa a ser Lisboa de facto e de direito? Pelo menos alguns anos tiveram de passar antes que o novo nome nascesse, tal como para que os conquistadores Galegos começassem a tornar-se Portugueses…

Estas miudezas históricas interessam pouco, dir-se-á, mas a mim interessar-me-ia muito, não só saber, mas ver, no exacto sentido da palavra, como veio mudando Lisboa desde aqueles dias. Se o cinema já existisse então, se os velhos cronistas fossem operadores de câmara, se as mil e uma mudanças por que Lisboa passou ao longo dos séculos tivessem sido registadas, poderíamos ver essa Lisboa de oito séculos crescer e mover-se como um ser vivo, como aquelas flores que a televisão nos mostra, abrindo-se em poucos segundos, desde o botão ainda fechado ao esplendor final das formas e das cores. Creio que amaria a essa Lisboa por cima de todas as cousas.

Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo. Esse filme de Lisboa, comprimindo o tempo e expandindo o espaço, seria a memória perfeita da cidade.

O que sabemos dos lugares é coincidirmos com eles durante um certo tempo no espaço que são. O lugar estava ali, a pessoa apareceu, depois a pessoa partiu, o lugar continuou, o lugar tinha feito a pessoa, a pessoa havia transformado o lugar. Quando tive de recriar o espaço e o tempo de Lisboa onde Ricardo Reis viveria o seu último ano, sabia de antemão que não seriam coincidentes as duas noções do tempo e do lugar: a do adolescente tímido que fui, fechado na sua condição social, e a do poeta lúcido e genial que frequentava as mais altas regiões do espírito. A minha Lisboa foi sempre a dos bairros pobres, e quando, muito mais tarde, as circunstâncias me levaram a viver noutros ambientes, a memória que preferi guardar foi a da Lisboa dos meus primeiros anos, a Lisboa da gente de pouco ter e de muito sentir, ainda rural nos costumes e na compreensão do mundo.

Talvez não seja possível falar de uma cidade sem citar umas quantas datas notáveis da sua existência histórica. Aqui, falando de Lisboa, foi mencionada uma só, a do seu começo português: não será particularmente grave o pecado de glorificação… Sê-lo-ia, sim, ceder àquela espécie de exaltação patriótica que, à falta de inimigos reais sobre que fazer cair o seu suposto poder, procura os estímulos fáceis da evocação retórica. As retóricas comemorativas, não sendo forçosamente um mal, comportam no entanto um sentimento de auto-complacência que leva a confundir as palavras com os actos, quando as não coloca no lugar que só a eles competiria.

Naquele dia de Outubro, o então ainda mal iniciado Portugal deu um largo passo em frente, e tão firme foi ele que não voltou Lisboa a ser perdida. Mas não nos permitamos a napoleónica vaidade de exclamar: “Do alto daquele castelo oitocentos anos nos contemplam” – e aplaudir-nos depois uns aos outros por termos durado tanto… Pensemos antes que do sangue derramado por um e outro lados está feito o sangue que levamos nas veias, nós, os herdeiros desta cidade, filhos de cristãos e de mouros, de pretos e de judeus, de índios e de amarelos, enfim, de todas as raças e credos que se dizem bons, de todos os credos e raças a que chamam maus. Deixemos na irónica paz dos túmulos aquelas mentes transviadas que, num passado não distante, inventaram para os Portugueses um “dia da raça”, e reivindiquemos a magnífica mestiçagem, não apenas de sangues, mas sobretudo de culturas, que fundou Portugal e o fez durar até hoje.

Lisboa tem-se transformado nos últimos anos, foi capaz de acordar na consciência dos seus cidadãos o renovo de forças que a arrancou do marasmo em que caíra. Em nome da modernização levantam-se muros de betão sobre as pedras antigas, transtornam-se os perfis das colinas, alteram-se os panoramas, modificam-se os ângulos de visão. Mas o espírito de Lisboa sobrevive, e é o espírito que faz eternas as cidades. Arrebatado por aquele louco amor e aquele divino entusiasmo que moram nos poetas, Camões escreveu um dia, falando de Lisboa: “…cidade que facilmente das outras é princesa”. Perdoemos-lhe o exagero. Basta que Lisboa seja simplesmente o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada – sem perder nada da sua alma. E se todas estas bondades acabarem por fazer dela uma rainha, pois que o seja. Na república que nós somos serão sempre bem-vindas rainhas assim.

<i>José Saramago</i> in <b><a href=http://caderno.josesaramago.org target=_blank>http://caderno.josesaramago.org</a></b>]]></description>
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<media:text><![CDATA[PONTE VASCO DA GAMA]]></media:text>
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<title><![CDATA[SESIMBRA]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/230/130874784</link>
<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 17:37:40 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/230/130874784"><img src="http://s72.flogao.com.br/2009/06/30/56/tb_130874784.jpg"></a><br><br>



<b>Como Esquecer?</b>

Como &#233; que se esquece algu&#233;m que se ama? Como &#233; que se esquece algu&#233;m que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando algu&#233;m se vai embora de repente como &#233; que se faz para ficar? Quando algu&#233;m morre, quando algu&#233;m se separa – como &#233; que se faz quando a pessoa que se precisa j&#225; n&#227;o est&#225; l&#225;?

As pessoas t&#234;m de morrer, os amores de acabar. As pessoas t&#234;m de partir, os s&#237;tios t&#234;m de ficar longe uns dos outros, os tempos t&#234;m de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?

Devagar. &#201; preciso esquecer-se devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem p&#244;r-se processos e ac&#231;&#245;es de despejo a quem se tem no cora&#231;&#227;o, fazer as maiores peixeiradas, mas n&#227;o se podem despejar de repente. Elas n&#227;o saem de l&#225;. Est&#250;pidas!

&#201; preciso aguentar. J&#225; ningu&#233;m est&#225; para isso, mas &#233; preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura &#233; aceitar-se que se est&#225; doente. &#201; preciso paci&#234;ncia. O pior &#233; que vivemos tempos imediatos em que ningu&#233;m aguenta nada. Ningu&#233;m aguenta a dor. De cabe&#231;a ou do cora&#231;&#227;o. Ningu&#233;m aguenta estar triste. Ningu&#233;m aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza s&#243; h&#225;-de passar entristecendo-se. N&#227;o se pode esquecer algu&#233;m antes de terminar de lembr&#225;-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade &#233; uma dor que pode passar depois de devidamente do&#237;da, devidamente honrada. &#201; uma dor que &#233; preciso primeiro aceitar.

&#201; preciso aceitar esta m&#225;goa, esta mo&#237;nha, que nos despeda&#231;a o cora&#231;&#227;o e que nos m&#243;i mesmo e que nos d&#225; cabo do ju&#237;zo. &#201; preciso aceitar o amor e a morte, a separa&#231;&#227;o e a tristeza, a falta de l&#243;gica, a falta de justi&#231;a, a falta de solu&#231;&#227;o. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados, se tivessem apenas o peso que t&#234;m em si; isto &#233;, se os livr&#225;ssemos da carga que lhes damos, aceitando que n&#227;o t&#234;m solu&#231;&#227;o.

N&#227;o adianta fugir com o rabo &#224; seringa. Muitas vezes nem h&#225; seringa. Nem injec&#231;&#227;o. Nem rem&#233;dio. Nem conhecimento certo da doen&#231;a de que se padece. Muitas vezes s&#243; existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabe&#231;a, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo &#224; nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento n&#227;o tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condo&#237;das lembran&#231;as a dobrar. Para esquecer &#233; preciso deixar correr o cora&#231;&#227;o, de lembran&#231;a em lembran&#231;a, na esperan&#231;a de ele se cansar.

Porque &#233; nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas que amamos? O cansa&#231;o faz-nos precisar delas. Quando estamos assim, mais ningu&#233;m consegue tomar conta de n&#243;s. O cansa&#231;o &#233; uma coisa que s&#243; o amor compreende. A minha m&#227;e. O meu Amor. E a felicidade. A felicidade faz-nos sentir pena e culpa de n&#227;o podermos partilhar. &#201; por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade &#233; maior.

Mas o mais dif&#237;cil de aceitar &#233; que h&#225; lembran&#231;as e amores que necessitam do afastamento para poderem continuar. Afonso Lopes Vieira dizia que Portugal estava t&#227;o mal que era preciso exilar-se para poder continuar a amar a p&#225;tria dele. Deixar de v&#234;-la para ter vontade de a ver. &#192;s vezes a presen&#231;a do objecto amado provoca a interrup&#231;&#227;o do amor. &#201; complicado o curto-circuito, o encurralamento, a contradi&#231;&#227;o que est&#225; ali presente, ali, na cara do cora&#231;&#227;o, impedindo-o de continuar.

As pessoas nunca deviam de morrer, nem deixar de se amar, nem separar-se, nem esquecer-se, mas morrem e deixam-se e separam-se e esquecem-se. Custa aceitar que os mais velhos, que nos deram vida, tenham de dar a vida para poderem continuar vivos dentro de n&#243;s. Mas &#233; preciso aceitar. &#201; preciso aceitar. &#201; preciso sofrer, dar urros, murros na mesa, n&#227;o perceber. E aceitar. Se as pessoas amadas fossem imortais perder&#237;amos o cora&#231;&#227;o. Perder&#237;amos a religiosidade, a paci&#234;ncia, a humanidade at&#233;.

H&#225; uma presen&#231;a interior, uma continua&#231;&#227;o em n&#243;s de quem desapareceu, que se ressente do confronto com a presen&#231;a exterior. &#201; por isso que nunca se deve voltar a um s&#237;tio onde se tenha sido feliz. Todas as cidades se tornam realmente feias, fisicamente piores &#224; medida que se enra&#237;zam e alindam na mem&#243;ria que guardamos delas no cora&#231;&#227;o. Regressar &#233; fazer mal ao que se guardou.

Uma saudade cuida-se. Nos casos mais tristes separa-se da pessoa que a causou. Continuar com ela, ou apenas v&#234;-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento, as pessoas que se amam mas n&#227;o se d&#227;o bem s&#243; conseguem amar-se quando n&#227;o se d&#227;o.

Mas como esquecer? Como acabar com aquela dor? &#201; preciso paci&#234;ncia. &#201; preciso sofrer. &#201; preciso aguentar.

H&#225; grandeza no sentimento. Sofrer &#233; respeitar o tamanho que teve um amor. No meio do remoinho de erros que nos revolve as entranhas, da raiva, do ressentimento, do rancor – temos de encontrar a raiz daquela paix&#227;o, a raz&#227;o original daquele amor.

As pessoas morrem, magoam-se, separam-se, abandonam-se, fazem os maiores disparates com a maior das facilidades. Para esquec&#234;-las, &#233; preciso chor&#225;-las primeiro. Esta &#233; uma verdade t&#227;o antiga que espanta reparar em como ainda temos esperan&#231;as de contorn&#225;-la. Nos uivos das mulheres nas praias da Nazar&#233; n&#227;o h&#225; "histerias" nem "ignor&#226;ncia" nem "fingimento". H&#225; a verdade que n&#243;s os modernos, os tranquilizados, os cools, os cobardes, os armados em livres e independentes, os tanto-me-fazes, os anestesiados, temos medo de enfrentar.

Para esquecer uma pessoa n&#227;o h&#225; vias r&#225;pidas, n&#227;o h&#225; suplentes, n&#227;o h&#225; calmantes, ilhas nas Cara&#237;bas, livros de poesia – s&#243; h&#225; lembran&#231;as, dor e lentid&#227;o, com uns breves intervalos pelo meio para retomar o f&#244;lego.

Esta dor tem de ser aguentada e bem sofrida com paci&#234;ncia e fortaleza. Ir a correr para debaixo das saias de quem for &#233; uma reac&#231;&#227;o natural, mas n&#227;o serve de nada e faz pouco de n&#243;s pr&#243;prios. A m&#225;goa &#233; um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo. Tem at&#233; uma estranha beleza. N&#243;s somos feitos para aguentar com ela.

Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amamos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, de lhe compormos redondilhas, mas tudo isto n&#227;o tem mal. Nem faz bem nenhum. Tudo isto conta como lembran&#231;a, tudo isto conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embara&#231;ada por ter sido apanhada na via p&#250;blica, como um bicho preto e feio, um parasita de cora&#231;&#227;o, uma peste inextermin&#225;vel, barata esperneante: uma saudade de pernas para o ar.

O que &#233; preciso &#233; igualar a intensidade do amor a quem se ama e a quem se perdeu. Para esquecer, &#233; preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. &#201; preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabe&#231;a nas paredes, dar sangue, dar um pedacinho de carne (eu quero do lombo, mesmo por cima da tua anca de menina, se faz favor).

E mesmo assim, mesmo magoando, mesmo sofrendo, mesmo conseguindo guardar na alma o que os bra&#231;os j&#225; n&#227;o conseguem agarrar, mesmo esperando, mesmo aguentando como um homem, mesmo passando os dias vestido de preto, aos solu&#231;os, dobrado sobre a areia da Nazar&#233;, mesmo com muita paci&#234;ncia e muita m&#225; vontade, mesmo assim &#233; poss&#237;vel que n&#227;o se consiga esquecer nem um bocadinho.

Quanto mais f&#225;cil amar e lembrar algu&#233;m – uma m&#227;e, um filho, um grande amor – mais f&#225;cil deixar de am&#225;-lo e esquec&#234;-lo. Raio de sorte &#243; lindeza, mis&#233;ria suprema do amor. Pode esquecer-se quem nos vem &#224; lembran&#231;a, aqueles de quem nos lembramos de vez em quando, com dor ou alegria, tanto faz, com tempo e com paci&#234;ncia, aqueles que am&#225;mos com paci&#234;ncia, aqueles que am&#225;mos sinceramente, que partiram e nos deixaram, vazios de m&#227;os e cheios de saudades.

E quando algu&#233;m est&#225; sempre presente? Quando &#233; tarde. Quando j&#225; n&#227;o se aguenta mais. Quando j&#225; &#233; tarde para voltar a tr&#225;s, percebe-se que h&#225; esquecimentos t&#227;o caros que nunca se podem pagar. Como &#233; que se pode esquecer o que s&#243; se consegue lembrar? A&#237;, est&#225; o sofrimento maior de todos. O luto verdadeiro. A&#237; est&#225; a maior das felicidades. 

<i>Miguel Esteves Cardoso</i>






























<marquee>Rio Grande &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; Senta-te a&#237;</marquee>






* photo by Outkaste



]]></description>
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<title><![CDATA[GUITARRA PORTUGUESA]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/228/130852575</link>
<pubDate>Sun, 28 Jun 2009 16:45:45 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/228/130852575"><img src="http://s72.flogao.com.br/2009/06/28/49/tb_130852575.jpg"></a><br><br>



Guitarra toca baixinho
Que algu&#233;m pode escutar
S&#243; ela deve entender,
S&#243; ela deve saber
Que estou falando de amor...

Cantam os grilos no campo,
E um p&#225;ssaro no ramo,
Ningu&#233;m dorme nesta noite,
E menos ela que agora,
Escuta um riacho e suspira!

Lua parada no c&#233;u,
O vaga-lume que passa,
Guitarra minha toca baixinho,
E mesmo com a m&#227;o incerta,
Toca guitarra que &#233; hora!

&#201; hora, de dar-lhe todo bem que h&#225; no meu peito,
Dizer-lhe Deus tamb&#233;m tenho direito
De am&#225;-la como nunca amei ningu&#233;m!
&#201; hora de respirar um pouco de ar puro,
Um prado &#233; verde quando &#233; Primavera,
E o Sol &#233; quente mas a noite espera,
Por n&#243;s ...

A noite est&#225; t&#227;o serena,
Eu dormindo em seu seio...
Deus! Como bate o cora&#231;&#227;o,
A gente sonha e agora,
Dorme guitarra que &#233; hora!

<i>(poema de uma can&#231;&#227;o imortalizada por
Francisco Jos&#233;, do qual desconhe&#231;o a autoria)</i>




















<marquee>Ant&#243;nio Cha&#237;nho e Elba Ramalho &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; Juntei-me &#224; voz verdadeira</marquee>






* photo by www.elfado.x-centrico.com


]]></description>
<guid>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/228/130852575</guid>
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<media:text><![CDATA[GUITARRA PORTUGUESA]]></media:text>
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<title><![CDATA[ABADIA DE ALCOBAÇA]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/227/130841910</link>
<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 15:38:34 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/227/130841910"><img src="http://s73.flogao.com.br/2009/06/27/43/tb_130841910.jpg"></a><br><br>



<b>Ode &#224; M&#250;sica</b>

<b>I</b>

&#201; como se tivesses m&#227;os ou garras
milh&#245;es de dedos   bra&#231;os infinitos
&#201; como se tivesses tamb&#233;m asas
libertas do min&#233;rio dos sentidos
&#201; como se nos p&#237;ncaros pairasses
quando nas nossas veias &#233; que vives
&#201; como se te abrisses - &#243; terra&#231;o
rodeado de abutres e ra&#237;zes –
sobre o perene p&#226;nico dos astros
sobre a constante ins&#243;nia dos abismos
E &#233; como se te abrisses e fechasses
sobre a ante-palavra do Esp&#237;rito
&#201; como se morresses quando nasces
&#201; como se nascesses quando expiras

<b>II</b>

&#211; claridade   &#211; vaga   &#211; luz   &#211; vento
que no sangue desvendas labirintos
&#211; varanda no mar sempre Setembro
&#211; dourada manh&#227; sempre Domingo
&#211; sereia nas dunas irrompendo
com as dunas e o mar se confundindo
&#211; corpo de desperta adolescente
j&#225; no centro de inc&#243;gnitos caminhos
que por fora te aceitas e por dentro
p&#245;es em d&#250;vida o sol do teu fasc&#237;nio
&#211; d&#250;vida que avan&#231;as mas por entre
volutas de pavor vais cingindo
&#211; altas labaredas   &#211; inc&#234;ndio
&#211; Musa a renascer das pr&#243;prias cinzas

<b>III</b>

S&#243; tu a cada instante nos declaras
que renegas a voz de quem divide
Que a &#250;nica verdade &#233; haver almas
terr&#237;vel impostura haver pa&#237;ses
Que tanto tens das aves o desgarre
como o expectante fr&#233;mito do tigre
tanto o c&#233;u indiviso que h&#225; nas &#225;guas
quanto m&#250;ltiplo fogo que h&#225; no trigo
Que &#233;s igual e diversa em toda a parte
Que &#233;s do pr&#243;prio Universo o que o sublima
Que nasces   que apagas    que renasces
em procura da l&#237;mpida medida
Que reges o mais puro e o mais alto
do que Deus concedeu &#224;s nossas vidas

<i>David Mour&#227;o-Ferreira </i>
Penedo, 9.8.1980




















<marquee>R&#227;o Kyao &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; Voz do Tejo</marquee>







* photo by Lu&#237;s Costa

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<media:title><![CDATA[ABADIA DE ALCOBAÇA]]></media:title>
<media:text><![CDATA[ABADIA DE ALCOBAÇA]]></media:text>
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<title><![CDATA[.]]></title>
<author>comalmalusa</author>
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<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 18:26:49 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/226/130833650"><img src="http://s72.flogao.com.br/2009/06/26/63/tb_130833650.jpg"></a><br><br>



<b>V&#233;nus II</b>

Singra o navio. Sob a &#225;gua clara
V&#234;-se o fundo do mar, de areia fina...
- Impec&#225;vel figura peregrina,
A dist&#226;ncia sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transpar&#234;ncia luminosa
Repousam, fundos, sob a &#225;gua plana.

E a vista sonda, reconstr&#243;i, compara,
Tantos naufr&#225;gios, perdi&#231;&#245;es, destro&#231;os!
- &#211; f&#250;lgida vis&#227;o, linda mentira!

R&#243;seas unhinhas que a mar&#233; partira...
Dentinhos que o vaiv&#233;m desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos... 

<i>Camilo Pessanha 1867 - 1926</i>
























<marquee>M&#225;rio Viegas &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; Poemas de Bibe</marquee>






* photo by Pow3ll


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<title><![CDATA[.]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/225/130814294</link>
<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 05:49:53 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/225/130814294"><img src="http://s74.flogao.com.br/2009/06/25/10/tb_130814294.jpg"></a><br><br>



<b>Frutos</b>

Quando a amada oferece
o seu corpo, ela sabe
que dos frutos apenas
se colhe o sabor.

&#201; ent&#227;o
que os dedos
separam as pel&#237;culas,
que a l&#226;mina desce e a &#225;gua
e o fogo se misturam.

E &#233; ent&#227;o que a vida
e a morte convivem
sob o mesmo tecto.

<i>Albano Martins</i>
































<marquee>Humanos &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; A culpa &#233; da vontade</marquee>






* photo by Korpinkynsi



]]></description>
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<title><![CDATA[ALGURES EM PORTUGAL...]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/222/130788478</link>
<pubDate>Mon, 22 Jun 2009 17:53:32 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/222/130788478"><img src="http://s72.flogao.com.br/2009/06/22/58/tb_130788478.jpg"></a><br><br>




<b>Reconhecimento &#224; Loucura</b>

J&#225; algu&#233;m sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo?
J&#225;.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender rel&#226;mpagos no pensamento?
Tamb&#233;m.
E &#224;s vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de &#194;ngelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que h&#225;-de vir
muito melhor do que est&#225;?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resigna&#231;&#227;o?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao imposs&#237;vel
atrevidamente
e ganhar-lhe, e ganhar-lhe
a ponto do imposs&#237;vel ficar poss&#237;vel?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais al&#233;m?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida &#233; s&#243; uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?

Tu S&#243;, loucura, &#233;s capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necess&#225;rias para olhos individuais
S&#243; tu &#233;s capaz de fazer que tenham raz&#227;o
tantas raz&#245;es que h&#227;o-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, &#233; rotina peganhenta.
S&#243; tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar

<i>Jos&#233; de Almada Negreiros 1893 - 1970</i>
























<marquee>Joel Xavier &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; Tejo</marquee>






* photo by Garelito


]]></description>
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<media:title><![CDATA[ALGURES EM PORTUGAL...]]></media:title>
<media:text><![CDATA[ALGURES EM PORTUGAL...]]></media:text>
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</item>
<item>
<title><![CDATA[PONTE DE LIMA]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/220/130766841</link>
<pubDate>Sat, 20 Jun 2009 14:28:12 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/220/130766841"><img src="http://s74.flogao.com.br/2009/06/20/41/tb_130766841.jpg"></a><br><br>




M&#250;sica, levai-me:

Onde est&#227;o as barcas?
Onde s&#227;o as ilhas?  



<i>Eug&#233;nio de Andrade 1923 - 2005</i>




























<marquee>Xutos e Pontap&#233;s &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; Um sinal de ti</marquee>





* photo by Miguel Rita]]></description>
<guid>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/220/130766841</guid>
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<media:title><![CDATA[PONTE DE LIMA]]></media:title>
<media:text><![CDATA[PONTE DE LIMA]]></media:text>
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</item>
<item>
<title><![CDATA[LISBOA ]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/219/130758336</link>
<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 17:27:39 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/219/130758336"><img src="http://s72.flogao.com.br/2009/06/19/53/tb_130758336.jpg"></a><br><br>



<b>Lisboa</b>

Lisboa com suas casas
De v&#225;rias cores,
Lisboa com suas casas
De v&#225;rias cores,
Lisboa com suas casas
De v&#225;rias cores...
&#192; for&#231;a de diferente, isto &#233; mon&#243;tono.
Como &#224; for&#231;a de sentir, fico s&#243; a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez in&#250;til de n&#227;o poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque h&#225; sono,
E, porque h&#225; sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fant&#225;sticos,
Mas n&#227;o vejo mais,
Contra uma esp&#233;cie de lado de dentro de p&#225;lpebras,
Que Lisboa com suas casas
De v&#225;rias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, &#233; outra coisa.
A for&#231;a de mon&#243;tono, &#233; diferente.
E, &#224; for&#231;a de ser eu, durmo e esque&#231;o que existo.

Fica s&#243;, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De v&#225;rias cores.

<i>&#193;lvaro de Campos</i>, in "Poemas"

























<marquee>Rio Grande &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - &#187; Dia de Passeio</marquee>






* photo by Pedro Lib&#243;rio


]]></description>
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<media:title><![CDATA[LISBOA ]]></media:title>
<media:text><![CDATA[LISBOA ]]></media:text>
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</item>
<item>
<title><![CDATA[ERICEIRA]]></title>
<author>comalmalusa</author>
<link>http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/218/130747952</link>
<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 17:29:36 -0300</pubDate>
<description><![CDATA[<a href="http://www.flogao.com.br/comalmalusa/foto/218/130747952"><img src="http://s74.flogao.com.br/2009/06/18/54/tb_130747952.jpg"></a><br><br>




<b>Explica&#231;&#227;o da Eternidade</b>

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o &#243;dio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julg&#225;mos mais profundos,
mais imposs&#237;veis, mais permanentes e imut&#225;veis,
transformam-se devagar em tempo.

por si s&#243;, o tempo n&#227;o &#233; nada.
a idade de nada &#233; nada.
a eternidade n&#227;o existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna at&#233; ao fim.

<i>Jos&#233; Lu&#237;s Peixoto</i>
























<marquee>Jorge Palma &#171; - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -&#187; Voo Nocturno</marquee>






* photo by Miguel Rita




]]></description>
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<media:title><![CDATA[ERICEIRA]]></media:title>
<media:text><![CDATA[ERICEIRA]]></media:text>
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